terça-feira, 30 de maio de 2017

déjà-vu

pela retina transpassa
em coisa multicolor
as mesmas cenas-figuras
que já tocaram tudo que sou.

sente-se o gosto não estranho
o mesmo não amargor
sente-se novamente o íntegro da pele
ferir-se.

- eu sei das horas e do movimento dos ponteiros.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

cicatriz

são novos caminhos,
novas entradas,
novas bandeiras,
desenhadas no corpo
sob a pele
e mais profundo.
fotografias tatuadas na carne-crua.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

pacto

furei os olhos
como se fizesse um pacto
havia teu nome e teu sangue.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

noite nº 17

amarre-me as mãos
vende meus olhos
dispa-me a pele
- minha pele crua.

prove o suor e meus medos
os anseios em cada espasmo
e minha saliva ácida
crave unhas e dentes
tudo violentamente
tatue vermelhos e roxos
na minha carne branca
e depois: coma!
devore,
devore,
até perder os dentes
até que não sobre nada
nem a fome
nem a carcaça.
para Miguel

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

noite nº 16

o contraste do meu corpo
e de toda essa noite fria
entre a palidez da pele
e a língua-viva
vermelha e quente e corrosiva
derretendo as palavras não ditas
em forma de saliva
fazendo de mim lugar de tua escrita
onde os versos e os não versos
me comem.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

noite nº 15

faltam teus dedos
nos meus pelos.
faltam teus pelos
         entre minhas pernas
         dentro da madrugada
         emaranhando-se nos meus cabelos.

falta tua gota
na minha língua.
faltam teus dentes
na minha carne:
rasgando
         – selvagem.