segunda-feira, 4 de julho de 2011

segredos de coração (histórias poucas) nº1

As folhas – poucas – voavam com o vento forte que vinha. Fazia frio. Pouco. Eram seis horas e alguns vagalumes tentavam clarear a noite.
Eles dançavam.
Era o frio. O frio que era pouco, mas era.
Poucas sombras tinham se formado. Só algumas árvores. Outras não se viam. Ainda eram seis horas. Só latir de cães. E porque ver algo que é o mesmo de dia? Mas as árvores eram vistas. Mas elas não eram as mesmas. Criavam um suspense em suas folhas.
Havia chocolate-quente. E um gato. Era o que havia de mais perto. Na verdade não era chocolate. Era café. Porque gostava de fumar. De vez em quando.
Bebia café, então.
Mas não fumava. Não agora.
E o gato era pardo. Ou era branco e as sombras das árvores o deixaram pardo, assim.
Mas nada era perfeito. Nada mais.
E como uma falta de ar, faltava-lhe algo. E cada vez era menor.
- Eu te amo, disse ele.
Alguém se levantou e tremeu. Fazia frio. Era pouco. Talvez fosse melhor ir para cama.
Aos poucos amanhecer.
Não era justo que o sol iluminasse seu rosto. Não era justo deixar sua tristeza ser iluminada.

6 comentários:

  1. Amo a sua intimidade com as palavras.

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  2. Certas coisas nos fazem tremer mais que o frio. Que era pouco, mas era.

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    Um abraço forte, passa lá para ler o post dos desempregados.
    Beijos
    Adriana

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  4. Que lindo, nem tenho muito o que dizer.
    Só agradecer pelas palavras suas que acompanham nos pensamentos e sentimentos meus..

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