domingo, 19 de dezembro de 2010

a escuridão

Naquela noite o bairro da Boa Vista ficou sem energia. Um apagão repentino. Edith tinha medo do escuro. Tinha medo não do escuro em si, mas do que ele pode trazer de si mesma. Já bastava o escuro das suas imperfeições. Já bastavam suas indecisões. Procurou desesperadamente as velas no balcão da cozinha, mas apenas achou o resto de uma e a acendeu rápido. Era meia luz. E isso não trazia muita segurança. Taquicárdica, ela ligou para ele para que viesse até a sua casa lhe fazer companhia. Mas ele não atendeu. Como, se sempre que ela precisava dele, ele estava ali: pronto, atento, amado? Como pode sumir? Ela chorou, enquanto o resto da vela se apagava. A escuridão era íntima e real. Onde estaria ele e seus olhos de amor?

2 comentários:

  1. A gente sempre espera algo, o problema é esse.

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  2. Ela não poderia ver nada no escuro! Nem o que ela não pode esperar.

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vírgula